Motoboys brasileiros são a maioria em Portugal

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A figura do motoboy era inexistente em Portugal até dois anos atrás, aproximadamente. O que levou essa atividade profissional — chamada de estafeta pelos lusitanos — foi a entrada de aplicativos de delivery no país em 2017.

Apesar das principais empresas do ramo (UberEats e Glovo) não revelarem a quantidade de brasileiros, estima-se que eles passem dos 70%.

O predomínio de brasileiros é tão grande que o diário português Jornal de Notícias publicou uma reportagem afirmando que “os brasileiros são ‘a alma’ da UberEats” no país.

Educador infantil e músico, Rodrigo Peres, de 42 anos, está em Portugal há pouco menos de um ano e faz entregas na Glovo há dez meses. “Não vejo um emprego melhor. Se a pessoa tiver disposição para trabalhar, dá para tirar um dinheiro bom”. Contou ele, que chega a trabalhar até 12 horas diárias.

O domínio brasileiro tem a ver com uma combinação de fatores que vão desde a facilidade em começar a fazer as entregas até uma nova onda de imigrantes recém-chegados —muitos deles com documentação irregular para trabalhar.

Embora os serviços exijam que os colaboradores apresentem autorização de residência, existem maneiras conhecidas de contornar esse requisito, como a colaboração com operadores terceirizados ou o uso do cadastro de outra pessoa.

Os brasileiros ainda têm a vantagem de um acordo bilateral que permite, para os imigrantes regularizados, trocar a carteira de habilitação brasileira pela portuguesa sem necessidade de exames adicionais.

Os entregadores sem autorização de residência legal no país se encontram em uma situação ainda mais vulnerável. Diante da impossibilidade de fazer o cadastro em nome próprio nos aplicativos, muitos recorrem ao “aluguel de perfis”.

Nesse caso, eles pagam uma comissão que varia entre 35% e 45% aos donos do cadastro nas plataformas. É comum ver anúncios desse tipo nos grupos de brasileiros nas redes sociais.

Ricardo (que pediu para não ter o sobrenome divulgado),de 20 anos, nascido em Goiás, chegou a Portugal há um ano e alugou por cerca de dois meses o perfil de um colega brasileiro regularizado.

O jovem conta que, após gastar 150 euros (R$ 650) com o aluguel da moto, mais 100 euros (R$ 434) de combustível e ainda a “comissão” para o dono do perfil, acabava ganhando menos do que 600 euros mensais (R$ 2.600), o salário mínimo português.

A atividade sofre forte influência de acordo com os períodos do ano. Meses de chuva e frio são mais lucrativos que o verão, por exemplo.

Apesar de vantajosa, alguns motoboys como Ricardo, afirmam que praticamente pagam para trabalhar, e que as jornadas de trabalho exigem bastante do profissional que acaba tendo pouco tempo de descanso.

As condições de trabalho já provocam manifestações de entidades de proteção aos imigrantes e também de sindicatos de restaurantes.

FONTE: Novo Dia Notícias